segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE NATAL 2014

Saudações literárias e natalinas!!! E que 2015 traga ótimas leituras, para que a gente possa se emocionar, rir muito, pular de alegria, dançar nas ondas da imaginação, refletir, viajar, voar, crescer e evoluir através do mágico caminho da literatura! Produzir, deixar nossa marca no mundo, Viver intensamente, enfim! Muita Luz!
BOAS FESTAS!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CRÔNICA - A magia de Papai Noel

Era véspera de Natal. Eu tinha contado os dias para a chegada daquele momento. As luzes da grande árvore já estavam acesas e as bolas coloridas me fascinavam. A família estava toda reunida na sala, menos o pai Almerindo, que tinha saído e não chegou a tempo de ver a entrega dos presentes.

A campainha tocou e o Papai Noel entrou no nosso apartamento, com a máscara de pano, a roupa vermelha, a barba de algodão e as luvas brancas, que pareciam engomadas. Eu nunca esqueci daquela noite!
Sentia um misto de fascínio e temor, ao mesmo tempo, por aquela figura que chegou com o saco de presentes. Eu contava apenas seis anos, e tentava descobrir quem poderia ser por trás daquela máscara rosada. Meu irmão Renato (In memoriam), geralmente quieto e calado, também entrou no clima natalino, em que tudo é possível e todos se aproximam, sem diferenças.

Papai Noel sorria, uma risada engraçada. Ele perguntava como eu estava, se tinha sido boazinha o ano todo, essas coisas... Falava com carinho, até que tirou do saco de pano um pacote que fez meu coração bater mais forte. Era um pequeno piano, desses que tem o tamanho um pouco maior do que uma caixa de sapatos. Quanta alegria!

Pelos dias e meses seguintes, eu não fazia outra coisa a não ser sentar no chão e tocar. Apurava os ouvidos e tentava imitar os acordes que ouvia no toca-disco e na televisão, e às vezes até tinha sucesso, com as músicas mais fáceis de executar...

Muitos anos se passaram. As teclas não mais produziam o som de antes, que foi se perdendo até ficar mudo. O próprio piano de madeira foi ficando desbotado, até que tive de me desfazer de vez... Ia-se embora o piano, mas ficavam as lembranças, tão lúdicas, tão cheias de magia e encantamento...
Só muitos anos depois é que soube que foi o meu próprio pai, Almerindo José, sempre tão dedicado aos filhos, que fez o papel de Papai Noel naquela noite inesquecível! Foi aí que “caiu a ficha” do porquê ele não tinha participado com eles da festa natalina, e não pude conter as lágrimas de alegria...

Hoje, mulher feita, ainda lembro daquele Natal como se fosse ontem.
Outros natais vieram e se foram, a família se desfez, o irmão e os avós partiram para o andar de cima, e tudo ficou diferente... Mas não tenho a mínima dúvida: aquele foi o mais marcante Natal da minha infância!
Acima de tudo, ficou a mensagem de que todo o Natal pode ser o melhor, quando há amor e sentimentos plenos de união, que ficam impregnados nos corações das pessoas, não importa a época, não importa o lugar.

E mesmo entre os que não são cristãos, permanece uma certeza: do quanto é importante reunir a família à mesa, durante a ceia natalina, para celebrar a paz e o entendimento, reforçando os laços e superando as diferenças.


Feliz Natal para todos!

* Texto adaptado do original, publicado em dezembro de 2007, que integra o meu  primeiro livro solo, "Crônicas de Maria e outras tantas - Um olhar sobre Jaraguá do Sul". Na versão atual, me expresso na primeira pessoa e introduzi adequações.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CONTO - O sarcófago do faraó

O calendário marcava 22 de novembro de 1922. A construção mortuária de pedra tinha dimensão menor, comparada às outras, dada a origem nobre de quem foi sepultado ali. Nem acreditava que finalmente encontrara a pirâmide que tanto procurava! Sentia que estava vivendo um momento histórico, único, que o tornaria famoso nos cinco continentes.

O corredor era escuro, fracamente iluminado pelo tênue feixe de luz que saía da sua lanterna. Fez questão de entrar sozinho, para usufruir vaidosa e egoisticamente aquele momento.

O voo desconexo dos morcegos e o som que emitiam não o perturbaram. Ao contrário, entendia que a presença desses mamíferos negros era a prova cabal de que aquele lugar se mantivera intacto, por séculos e séculos...

O portal do mausoléu trazia hieróglifos que pareciam saudar os visitantes. – Com certeza é uma mensagem de boas vindas, pensou Howard Carter, que não tardou a encontrar o sarcófago de Tutankhamon, o jovem faraó que morreu prematuramente, aos 19 anos, por circunstâncias pouco esclarecidas.

A câmara funerária tinha quatro capelas em madeira dourada, encaixadas, que protegiam o sarcófago de quartzito. Ouro, muito ouro e jóias decoravam o túmulo. A essa altura, ele gritou para que a equipe entrasse, e a fascinação por tanta riqueza se traduzia nos olhares brilhantes e cobiçosos dos participantes da expedição.

Por um momento, o arqueólogo fechou os olhos e ficou imaginando a sociedade egípcia em 1346 a.C, com o poder absoluto do faraó, seus sacerdotes, chefes militares, escribas, comerciantes, agricultores, pastores... Isso sem falar nos escravos, capturados nas guerras, desprezados e sacrificados durante as construções das pirâmides... Também enxergou um homem sorrindo, bem ao lado de um rosto mumificado. Carter soltou um longo suspiro, mas logo se recompôs. Era hora de comemorar, chamar as autoridades locais e a imprensa. O mundo precisava saber do seu achado!

Ao iniciar a interpretação dos hieróglifos, traduziu a frase do portal, não sem um certo mal-estar: "A morte abaterá com suas asas quem perturbar o sono do faraó". Um arrepio involuntário percorreu sua espinha. – Bobagem!, disse para si mesmo.

Em abril de 1923, o conde de Carnarvon, que financiou a expedição, morreu com uma inexplicável febre, ainda no Egito. Foi a primeira de 22 mortes misteriosas e fulminantes relacionadas à descoberta arqueológica. Curiosamente, Howard Carter viveu mais 13 anos! Ao que tudo indica, “A maldição do faraó” não o atingiu...


Ao fechar o livro “História das civilizações antigas”, o menino Jonas ficou pensativo e depois olhou o relógio. Eram quase 19 horas. A Biblioteca Municipal logo iria fechar. Foi o último a sair, com um olhar perdido e a imaginação ainda às voltas com pirâmides, faraós e sarcófagos... Apressou o passo, porque sabia que sua mãe o esperava para o jantar.

* Publicado originalmente em 3 de junho de 2013, no site literário Letras et Cetera (http://nanquin.blogspot.com.br).

REFLEXÃO DO DIA: A vida não é feita de flores

"Sim, a Vida não é feita de flores... Mas também não traz só espinhos... É preciso equilibrar a balança dos nossos dias, buscar o equilíbrio, ainda que em dias desequilibrados, ainda que em dias conturbados... Buscar o centro de nós mesmos, o recolhimento, a introspecção, a reflexão, toda a vez que for necessário. Mas sem nunca deixar de acreditar na nossa força interior. E por mais que a Vida nos passe rasteiras, e nos tire do eixo muitas vezes, que as decepções e as pressões sejam muitas, que a dor muitas vezes corte a carne como um punhal, acreditar e seguir em frente, sempre! Sim, a Vida não é feita de flores... Mas também não traz só espinhos..." Sônia Pillon

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CONTO - O dia em que Peter Pan deixou a Terra do Nunca

O mar estava agitado, e o navio-pirata do capitão Gancho parecia uma casca de noz, de tanto que era sacudido pelas ondas bravias. O comandante da embarcação, que causava pavor até entre a marujada, não somente pelo seu temperamento colérico, mas também pelo enorme gancho de ferro que substituía um dos braços, praguejava sem parar. Seus olhos disparavam chispas de ódio. A tripulação estava assustada. Impossível prever o que o capitão iria fazer, e isso era o que mais preocupava a tripulação.

- Assim não vou conseguir capturar o Peter Pan, aquele menino insolente! – gritava o capitão, trincando os dentes.

Mas Peter Pan nem ligava. Definitivamente, “o menino que não queria crescer”, líder dos Meninos Perdidos, tinha as suas ordens para ordenar e suas brincadeiras para brincar... Na Terra do Nunca, onde ele e os amigos se refugiaram das responsabilidades e compromissos do mundo real, Peter Pan reinava absoluto!

Na Terra do Nunca, que era o sonho de muitas crianças, não haviam as obrigações da escola, os deveres de casa para fazer, muito menos as provas bimestrais. Apenas aventuras infantis e muita diversão. Por isso tinha fugido da casa dos pais, para fazer o que e bem entendesse...
Wendy era a única que o entendia, mas depois de algum tempo ela decidiu voltar para casa dos pais e seguir com sua vida. Queria virar mocinha, continuar os estudos...

Sim, Peter Pan chorou e muito! Mas como abrir mão de sua liberdade? Deixar aquele lugar encantado, melhor que um parque de diversões? E o que era melhor: sem precisar pagar ingresso...

- Não nasci para seguir regras e ser escravo do relógio! Ah, não!

Mas um dia a nostalgia bateu forte e ele tomou a decisão de deixar a Terra do Nunca para procurar Wendy.

- O menino precisa crescer!,  disse para si mesmo.

Todos sabem que no dia em que Peter Pan deixou a Terra do Nunca e procurou os pais, não foi reconhecido por eles. Tinha passado muitos anos fora... E o mesmo aconteceu quando ele foi encontrar Wendy. Bateu na vidraça do quarto dela e uma mulher o atendeu. Para espanto de Peter  Pan, era Wendy, só que muito diferente da menina que conheceu! Logo depois  apareceu um homem de terno e gravata, que ela apresentou como marido... Wendy foi gentil e tratou Peter Pan como um velho amigo... Peter Pan mal conseguiu conter as lágrimas.

- Ela cresceu e eu continuei o mesmo,  constatou.

O dia em que Peter Pan deixou a Terra do Nunca tinha demorado demais para acontecer...  Profundamente triste, “o menino que não queria crescer” disfarçou e se despediu de Wendy e do marido. Enxugando as lágrimas que insistiam em cair, ele respirou fundo e voou para a Terra do Nunca. Ele nunca mais voltou a ver Wendy...

- Mamãe, quer dizer que se um menino for para a Terra do Nunca, ele não vai crescer? – perguntou Pedrinho.


- Sim, Pedrinho, se isso acontecer, ele não vai amadurecer e será sempre um menino em um mundo cercado de adultos – respondeu a mãe, antes de puxar o cobertor e beijar o rosto do filho, que se preparava para dormir.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CONTO - Em tempo de piratas

“Renda-se ou morra!”. A temível bandeira com a caveira e as duas espadas cruzadas tinha um recado claro e direto às embarcações que navegavam pelo Mar do Caribe. E a chegada do navio pirata comandado por John Terrible sempre causava pânico. Relativamente magro e de estatura mediana, John Terrible tinha cabelos longos e negros, presos em um rabo-de-cavalo, uma barba comprida e aparada, e grandes olhos castanhos.

O terrível pirata caribenho era reconhecidamente vaidoso, tanto que surrupiava os trajes dos nobres quando invadia os seus barcos. Para os padrões do século 18, era considerado um homem bonito e atraente, e fazia muito sucesso nas tavernas dos portos por onde atracava, seja para se abastecer de provisões, ou promover seus “negócios”.

Astuto, tinha um olhar frio e penetrante. Implacável tanto com a marujada, como com seus inimigos. Nos saques que realizava, principalmente nos navios espanhóis, franceses e ingleses, além de ouro, prata e jóias, costumava raptar as mulheres das quais se agradasse, fossem senhoras, ou donzelas... E depois de fazê-las prisioneiras, usava de seus artifícios de sedução para conquistá-las e transformá-las em piratas também. Reza a lenda que poucas resistiam ao seu charme, apesar dele ter o que se poderia chamar de “um coração de granito”... E se por acaso não se agradasse, ou se cansasse de alguma delas, ou ainda fosse rejeitado, dava ordem para os marinheiros as jogarem ao mar...

Rico e poderoso, John Terrible foi por mais de duas décadas caçado pelas monarquias que pilhou. Nesse período, o “Senhor das Águas Sombrias” pintou e bordou, ou melhor, assaltou e se refestelou com sua tripulação após as pilhagens. Promovia festas e banquetes memoráveis, sempre regados com muito rum.

Mas os seus dias de crimes impunes chegaram ao fim quando finalmente a sua embarcação, “Terror dos sete mares”, foi rendida em uma emboscada na Jamaica. Preso e condenado à forca, John Terrible foi conduzido por um carrasco para ser executado em uma grande praça. Causava espanto o grande número de mulheres no local, aos prantos...

_ Ei, Samuel, acordaaa! Já são 7 horas, homem!
_ Ai, Raquel, logo agora que ia acontecer o enforcamento do John Terrible!
_ Ha ha ha. É isso que dá ficar assistindo filmes de piratas antes de dormir... E pensar que hoje existe o Partido Pirata, que nasceu na Europa e tem até candidato brasileiro concorrendo ao Parlamento Alemão...
- É mesmo! É um tal de Fabrício do Canto, que adotou o apelido de “Infiltrado”, um gaúcho radicado na Alemanha que quer revolucionar a forma de se fazer política por lá... E esse partido já existe também no Brasil! Ah, piratas!...

Samuel se arrumou rapidamente. A realidade o estava chamando. Não queria chegar atrasado ao trabalho, mais uma vez...

* Texto originalmente publicado em 29 abril de 2013, no site literário Letras Et Cetera, http://nanquin.blogspot.com.br/2013/04/em-tempo-de-piratas-sonia-pillon.html.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Crônica - DEZEMBRO VERMELHO

Calma, leitor! Não se trata de um filme de guerra, de um clássico de terror, nem de uma manchete sensacionalista de jornal (daquelas que, se torcer, sai sangue)... Também não se trata da tradicional roupa do bonachão velhinho que toca a sineta, entra pela chaminé e entrega presentes aos meninos e meninas bem comportados, na véspera da maior festa cristã comemorada em grande parte do planeta. Apesar de estarmos no mês do Ho Ho Ho e da época em que as contas bancárias costumam acabar no vermelho... A cor escarlate, que muitos também associam à cor da paixão, tem aqui outro significado.

O vermelho a que me refiro está relacionado à fita-símbolo da campanha de prevenção à Aids, numa época em que as pessoas deixaram de se preocupar com a doença. Sim, porque apesar de ter surgido no final da década de 1980 e ainda ser incurável, as estatísticas comprovam que muitos deixaram de se precaver desde o surgimento do “coquetel” medicamentoso, distribuído gratuitamente nas unidades de saúde. Isso sem esquecer que em regiões remotas da África, quem é infectado ainda confia mais em curandeiros do que em médicos...

Os gestores em saúde conhecem bem essa realidade! São eles que acompanham os índices de portadores de Aids no mundo, no Brasil, em Santa Catarina e, mais precisamente, em Jaraguá do Sul e região. Vale ressaltar que a Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabeleceu o 1º de Dezembro como o Dia Mundial de Combate à Aids, estima em 35 milhões de novos casos no mundo em 2013. São 34.547 casos de Aids acumulados no Estado desde 1984 até dezembro de 2013.

Dos 20 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes, nove são catarinenses, liderados por Itajaí. Em Jaraguá do Sul, de janeiro até outubro deste ano, já são 41 novos casos confirmados e um acumulado de 1.193 soropositivos desde 1991, com 227 mortes no período.

Existe um senso comum – equivocado, diga-se de passagem – que faz as pessoas de um nível social e cultural mais alto acreditarem que Aids é um problema “dos outros”. São indivíduos que não vão consultar em um posto de saúde e, via de regra, não se utilizam dos serviços do SUS. Portanto, não ligam quando avistam outdoors, cartazes e folderes distribuídos na rede pública de saúde. Ah! E não custa refrescar a memória: não existem grupos de risco, mas sim, situações de risco, como manter relações sexuais sem camisinha e compartilhar seringas, no caso de usuários de drogas injetáveis.

Mas tudo isso todo mundo já está careca de saber, certo? Errado! O fato dessas informações já terem sido insistentemente “marteladas” na cabeça dos brasileiros, em todas as mídias, não tem sido suficiente para sensibilizar as mudanças de comportamento de parte dos cidadãos com vida sexual ativa, infelizmente.

Está mais do que na hora dos indivíduos agirem com consciência, preservando a si mesmos, seus parceiros e a comunidade onde vivem com cuidados preventivos, inclusive para evitar outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia.

Que o Dezembro Vermelho, a exemplo do Outubro Rosa e do Novembro Azul, seja para alertar à adoção de práticas preventivas.

Se liga, “mermão”, que a parada é séria!