quarta-feira, 25 de março de 2015

Conto - Memórias do mar

O mar sempre me causou encantamento. O ondular das águas, o leve ruído produzido pelas ondas, no encontro com a areia, a chegada de um siri, trazido à beira-mar, o céu azul, pintado por nuvens brancas, as aves aquáticas, os morros, os barcos ao fundo... É como se me transportasse para uma ilha deserta, aberta dentro de mim mesma. Fecho os olhos e aspiro o cheiro da água salgada, inconfundível.

Quando o sol nasce e a praia ainda está praticamente deserta, com poucos veranistas, gosto de apreciar a movimentação dos pescadores com suas redes e barcos coloridos, conferindo os peixes e se preparando para a venda do dia. O aroma do peixe fresco me faz antever deliciosas e suculentas receitas para degustar à mesa, com a família, ou amigos, de preferência acompanhadas de um vinho de boa safra...

É incrível constatar que no mesmo espaço, na areia, convivam realidades tão distintas.  A praia pode ser um lugar paradisíaco para amar, relaxar, descansar e até para não pensar em nada, esvaziar a mente... Tem os que só querem um agito com os amigos, “caçar” nas areias, xavecar, comer e beber até cair...  E há ainda a galera do surf, deslizando com suas pranchas em busca da melhor onda, desafiando a natureza bravia e indomável do oceano. Uns desfrutam das belezas do mar, outros buscam a sobrevivência. Próximos e distantes ao mesmo tempo.

E é por isso que hoje decidi acordar mais cedo, pegar a cadeira de praia, o guarda-sol, o chapéu de palha e ir de encontro ao mar. Quando acordei e abri a janela, vi esse céu, tão azul, que não teve jeito.  Foi irresistível. Lembrei daquela lenda, a das mulheres  atraídas pelo boto, e ri sozinha...
Não sei explicar, mas sempre que me sinto sem energia, precisando recarregar as baterias, lembro do mar... Tenho que concordar com o saudoso Dorival Caymmi, de que “o mar quando quebra na praia é bonito, é bonito...” E hoje me deu muita vontade de sentir o mar, de pegar um pouco dessa força indomável para mim.

Não sei bem... Acho que é a maturidade chegando, como o doloroso processo da lagarta até sair do casulo e se transformar numa borboleta...
Olha lá o Zeca Peixeiro! Mais de três décadas tirando o sustento da mulher e dos quatro filhos dessas águas! Tem uns quarenta e poucos anos de idade, mas aparenta bem mais... Ele e os colegas têm conseguido menos peixe nos últimos tempos, por causa dos barcos industriais. Eu, que moro aqui há tantos anos, vejo com tristeza essa situação. Vou ver o que ele trouxe hoje...

- Bom dia, dona Mara! A pesca não anda muito boa, mas separei  sardinha “da hora” pra senhora! Aproveita!

- Me vê dois quilos, Zeca! E como anda a Lurdes e os meninos?

A Lurdes andou meio adoentada, com dor na coluna, mas tá melhorando... Os mininu tão crescidinho já, mas com saúde, que é o que importa. Eu é que ando meio desanimado dessa vida...

- Mas por que, seu Zeca?

- Ah, dona Mara, difícil... Quando eu era pequeno, meu pai sempre contava que desse marzão de Deus a gente tirava tudo. Naquela época, se tinha fartura. Mas hoje... O jeito vai ser esperar a temporada da tainha pra botar a dívida do mercado em dia e ver se sobra uns troquinho...

Paguei os peixes, me despedi e fui andando para casa com o coração apertado.


Crédito da foto de Barra Velha, Norte de Santa Catarina: Rodrigo Philipps / Agência RBS

terça-feira, 17 de março de 2015

Conto - Nuvens da saudade

A primeira vez que Sofia ouviu falar sobre Mitologia Grega foi há muitos anos, quando recém tinha completado seis anos de idade. Ela nunca esqueceu a noite em que eu trouxe aquele livro grosso de capa dura, com ilustrações coloridas de deuses e deusas, semideuses, heróis e simples mortais, criados pela fértil imaginação dos habitantes da Grécia Antiga.

Supersticiosos e temerosos da fúria dos deuses, que eram vingativos e movidos a paixões, assim como os humanos, o povo grego vivia elevando suas orações e oferecendo sacrifícios para agradar as divindades do Olimpo.
Os olhos de Sofia brilhavam a cada episódio da obra, como a que contava sobre Ícaro, o homem que ousou desafiar o deus Apolo, único que podia se aproximar do astro-rei... Ficou com dó ao saber que as asas de cera e penas criadas por Ícaro, que sonhava voar como os pássaros, derreteram com a proximidade do sol e ele morreu... 

- Se aqui embaixo desse sol é um calorão, imagina lá em cima!


Sempre teve predileção por tudo que era relacionado ao universo celeste. Ela seria capaz de ficar horas e horas se encantando com a luz do luar e o brilho das estrelas...

No dia em que viu a imagem de Pégasos, o Cavalo Alado, os olhos de Sofia cintilaram!

- Um cavalo branco de asas que vive entre as estrelas! Ah se eu pudesse montar na garupa de Pégasos! Eu iria pedir que me levasse lá para cima, bem no alto!

Naquele mesmo dia, ela não descansou enquanto não achou um “Pégasos” na maior loja de brinquedos da cidade. Ao chegar em casa com o cavalo alado, foi logo pedindo algodão. Eu estranhei, mas atendi o pedido da minha filha, claro...

Depois de desmontar um rolo inteiro de algodão, transformando em tufos que lembravam nuvens, Sofia começou a brincar com o Pégasos. Pegou Hannah, a boneca-miniatura, e a colocou sentada e com as mãos nas asas do cavalo mitológico. Ela o fazia voar com Hannah por entre as nuvens, para lá e para cá... Perdeu a noção do tempo com a brincadeira, até que a chamei para dormir.

- Sofia, você não cansa de brincar com o Pégasos?, perguntei, com um sorriso.
- Ah só mais um pouquinho...

- Não, não, já chega por hoje, Sofia! Senão você não acorda amanhã...

No dia seguinte, ela me contou que ficou lembrando a brincadeira com Pégasos, Hannah, as nuvens de algodão... E imaginou a cena dela no lugar da boneca com o Pégasos “verdadeiro” galopando pelos ares. Disse que podia sentir a impetuosidade do cavalo alado, os movimentos vigorosos com as asas que ele fazia para se movimentar por entre as nuvens.

Ela se sentiu atravessando as nuvens, que tomavam as mais diversas formas, à medida que o voo evoluía. Ursas com filhotes, gatos e cachorros de várias raças, pássaros e fisionomias risonhas e carrancudas. Viu até uma bruxa de chapéu bicudo e fez uma careta, imagina!

De repente, a Sofia contou que Pégasos começou a descer rapidamente e as imagens se tornaram aceleradas, até que ela sentiu que caiu no solo. Foi quando ela caiu da cama, me acordou e me contou o sonho...




E hoje, tenho certeza que, onde quer que ela esteja, deve estar voando e brincando por entre as nuvens, como ela sempre sonhou, feliz... É assim que sempre quero lembrar da minha filha...

quarta-feira, 11 de março de 2015

Conto - O castelo

  O calabouço era escuro e úmido. Uma pequena réstia de luz atravessava as grades da minúscula janela, lá no alto. Durante a madrugada, a janela também dava acesso aos morcegos, que faziam voos rasantes e ruídos de arrepiar o mais corajoso dos cavaleiros. Sujo e empoierado, o local também estava tomado por ratos e baratas. Um completo cenário de horror.
     
     E era nesse ambiente fétido e aterrador que lorde Thompson estava encarcerado, longe de tudo e de todos, principalmente de sua amada, desde que o soberbo Henry, o rei da Bretanha, descobriu que ele cortejava sua única filha, Mary Hellen.           Ambicioso, o frio soberano tinha outros planos para sua herdeira. Pretendia casá-la com um outro rei, unir os dois reinos e crescer ainda mais em seus domínios.  
     
     Enquanto se refugiava em um canto da cela, na tentativa de ficar a salvo dos roedores e insetos, ficava lembrando da primeira vez que viu a tímida princesa Mary Hellen, passeando pelo jardim do castelo.
     
     O vestido azul-turquesa da filha do rei se movia graciosamente enquanto ela caminhava por entre as flores, e ressaltava ainda mais seus olhos azuis cor-do-céu, a pele clara e a cativante expressão de pureza de seu rosto. E foi naquele momento que Thompson chegava em seu cavalo branco, altivo e garboso em sua armadura de ferro. Ao ver a nobre donzela, foi tomado por forte emoção e imediatamente colheu a rosa mais bonita e ofereceu à moça, que enrubesceu.

- Alteza, aceite essa rosa como prova da minha lealdade e profunda admiração. Uma linda rosa para uma linda princesa!, falou o lorde, com um sorriso sedutor Era o começo de um namoro, com encontros furtivos e troca de cartinhas apaixonadas, intermediadas pela fiel ama. Foram três meses de juras eternas, até o dia em que o rei flagrou os dois se beijando em um dos corredores do grande castelo.

- Mas, o que é isso?! Como ousa beijar a princesa, que está prometida ao rei da Escócia?
- Eu não vou me casar com o rei da Escócia! Prefiro morrer!, retruca a princesa Mary Hellen, caindo em prantos.
- Pois você vai casar com ele, sim! E esse atrevido vai ter a lição que merece! Guardas, levem lorde Thompson para o calabouço, agora!!!
     
     De nada adiantaram os protestos da princesa, nem a promessa do lorde de que queria desposar Mary Hellen para fazê-la muito feliz. Ao lembrar como tudo aconteceu, lord Thompson solta um longo suspiro.

- Thom! Thom! Ele abre os olhos e se espanta ao ver a mulher o chamando. Era como se tivesse voltado do túnel do tempo.
- Estava preocupada com você, amor. Suava frio e se debatia durante o sono... Teve um pesadelo com aqueles alunos bagunceiros de sempre?
- Ah, sim, mas já passou, disse à mulher, com um sorriso enigmático. - Lembrei agora que preciso terminar a minha aula sobre a Idade Média... Acho que vou marcar a prova para semana que vem...

* Publicado no http://nanquin.blogspot.com/2013/05/o-castelo-sonia-pillon.html#ixzz3U7oiks4x

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Conto - O Sonho de Jourdan

“Comandar esses 60 trabalhadores para desbravar essas terras inóspitas não tem sido uma tarefa fácil! Se bem que eu sabia dos desafios que ia enfrentar ao receber essas terras dotais da princesa Isabel e do meu caro amigo, conde D´Eu. Quando penso que chegamos aqui, margeando o rio Itapocu, rumo ao desconhecido, e lembro da emoção que senti ao penetrar pela primeira vez esse vale...  

Ao avistar esse lugar lindo, de matas exuberantes e águas cristalinas, tive a certeza que aqui é o lugar certo para se prosperar... E essa sensação é muito forte dentro do meu coração!


E pensar que eu, o engenheiro belga Emílio Carlos Jourdan, que já enfrentou guerras nessa minha carreira de militar, agora enfrenta essa odisséia para colonizar esse fértil Vale do Itapocu, com esses tantos índios, curiosos e temerosos de nós. O Morro da Boa Vista nos olha soberano, enquanto luto com essa equipe para instalar esse engenho de cana, a serraria, a olaria, e o engenho de fubá e mandioca. Investi todo o meu dinheiro nessa empreitada! Essa Colônia Jaraguá tem tudo para se tornar o futuro Eldorado. Sinto que um dia todos vão querer trabalhar e viver nesse lugar mágico, onde tudo se planta e tudo frutifica.

Como é lindo ver esse povo com olhares brilhantes, transbordantes de esperança. A força de trabalho desse povo brasileiro, da aguerrida etnia negra, e dos incansáveis imigrantes europeus, essa deliciosa diversidade cultural é fascinante! Sinto que um dia eles vão estar lado a lado, crescendo juntos... E que esse dia não demore!

Já é madrugada e perdi a conta das horas. Todos já estão dormindo e acho que vou fazer o mesmo. Amanhã é outro dia!”

Enquanto se prepara para descansar, Emílio Carlos Jourdan vai lentamente fechando os olhos. O corpo está moído do esforço físico do dia e ele rapidamente se entrega a um sono profundo.  De repente, Jourdan levanta e decide sair do leito. Ao sair fora da casa, arregala os olhos espantado.

- O que é isso? Que prédios enormes! E essas chaminés? Cadê os cavalos?Anda mais alguns metros e olha as ruas calçadas e inúmeros veículos. Desce até uma rua e olha um desfile. Ali estão pessoas vestindo roupas que conhece, pelo menos! Estão segurando faixas. Mas o público se veste de uma forma tão estranha... Vê que as pessoas o olham como se o reconhecessem, e não entende mais nada!...

Um homem passa por ele e diz: - Parabéns, Jourdan! Vamos comemorar os 137 anos de Jaraguá!

- Só posso estar sonhando com o futuro, diz Emílio Jourdan para si mesmo, emocionado, enquanto avista uma menina negra, que lhe sorri e lhe entrega um ramo de flores.

* Resgatando conto publicado em homenagem aos 137 anos de emancipação política de Jaaguá do Sul, em 25 de julho de 2013, no http://nanquin.blogspot.com/2013/08/o-sonho-de-jourdan-sonia-pillon.html#ixzz3U7lwxPOg

Conto - A volta de Manequinha

“Manuel foi pro céu...” A frase remete a uma conhecida música de Ed Motta... Mas me faz lembrar especialmente do saudoso Manoel Rosa, ícone da folia carnavalesca de Jaraguá do Sul, no Norte Catarinense!

   Manequinha, Mestre Manequinha, Senhor Carnaval... Quem o conheceu, não tem como esquecer sua figura magra e franzina, mas determinada, a pele cor de ébano e seus expressivos olhos azuis.

   Nascido no Morro da Boa Vista (o Morro da África, como era chamado), foi na Vila Lenzi, onde passou a residir na década de 1940, que ele se consagrou como folclorista e carnavalesco.

   Elegantemente vestido e com porte nobre, conduzia o bloco Estrela D’Alva como um maestro, e se agigantava perante à platéia da avenida Walter Marquardt. Ele mesmo cuidava de tudo, especialmente da bateria. Afinal, o respeitável público se acostumou em vê-lo desfilar desde 1938, quando criou o grupo “Estrela D’Alva”, o mais antigo bloco de carnaval da cidade!

   Na década de 1950, inovou com o Grupo Folclórico Bumba-meu-boi, com os personagens confeccionados por ele mesmo. Sua carisma inigualável o manteve, por décadas, como o maior representante da cultura popular local. Mas um dia ele atendeu ao chamado e se foi, em 13 de julho de 2007, na véspera de completar 87 anos (ou seriam 90?). Naquela noite, com certeza o céu ganhou mais uma estrela...

   Vai ver que é por isso que circulam várias versões sobre a despedida de Manequinha... De que talvez ele esteja dormindo um longo sono...Ou foi levar sua alegria bem brasileira para o vasto Universo... “Manequinha não morreu, nem nunca vai morrer!”, asseguram seus fãs.

   Há quem afirme que, a cada carnaval, o velho Manequinha veste o seu impecável terno branco, o sapato lustrado com esmero, o chapéu de sambista, e desce à Terra para espiar a Folia de Momo. Invisível, ele circularia pela concentração dos blocos, acompanharia o desfile dos foliões e a performance dos músicos ao apresentarem os sambas-enredos... Dizem que ele sente falta da alegria da maior festividade popular brasileira, e por isso “escapa” uma vez por ano, sempre em fevereiro... Quer ouvir o som contagiante da bateria, o brilho e o colorido das fantasias, o samba no pé e a sensualidade das cabrochas...

   Dinaura é uma das que garante ver e falar com Manoel Rosa no carnaval. – Esse ano ele me disse que está muito feliz, porque um novo bloco surgiu em sua homenagem. Juro que é verdade!, afirma ela. Dinaura se refere ao bloco “Unidos do Manequinha”, criado por familiares, apaixonados por carnaval e simpatizantes de seu legado cultural e artístico. Que seja um tributo à altura da grandeza do cidadão Manoel Rosa!





* Publicado também em 10 de fevereiro de 2013 no http://nanquin.blogspot.com, Letras et Cetera.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Conto - O presente do ano novo chinês

Caminhar pelo bairro da Liberdade sempre foi um prazer inenarrável para mim. Aquela atmosfera mística, a decoração, as lojas e seus produtos importados, a exótica e saborosa culinária, tudo me faz voar na imaginação, rumo ao país do sol nascente e seus vizinhos. Made in Japan, Made in China, não importa, porque o meu encantamento desperta a cada vez que meus pés pisam por aquelas calçadas mágicas, que tem o poder de me fazer esquecer dos problemas e de tudo o mais...

Aqueles olhos puxados dos comerciantes, a fascinante diversidade de povos e raças que circula pela rua principal, as múltiplas barracas de artesanato, com peças gigantes até as mais surpreendentes miniaturas, têm o poder de me transportar ao outro lado do globo. Dragões assustadores, luminárias, artigos de bambu, velas, incensos, roupas, plantas...  Não importa quantas vezes eu passe por lá, a sensação é sempre de primeira vez...

- Ok, Mirella, tudo isso já sei faz tempo... Mas o que aconteceu naquele dia?

Ah, naquele dia, algo diferente se anunciava. Eu estava andando, atenta às vitrines, buscando mais um objeto decorativo, mas sem muita grana para gastar... Notei que a movimentação estava mais frenética naquela manhã. Logo lembrei: eram as comemorações do ano novo chinês, que iniciaram dia 19 de fevereiro! Ingressamos no Ano da Cabra! Saiu o Ano do Cavalo, galopante, impulsivo e turbulento...

- E o que isso quer dizer, afinal?

Diz o horóscopo milenar chinês que o ano da Cabra promove profundas transformações, os ânimos serenam, os bons sentimentos afloram e a época é propícia para a criatividade e as manifestações artísticas... Eu olhava aquela festa toda, as roupas típicas, os tambores, a música e as coreografias que saudavam a virada do ano chinês e me lembrava dos filmes do Jackie Chan...

Naquele momento, a esperança se instalou em mim. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem que eu percebesse, mas eram de alegria interior...

- E o que foi que te marcou tanto, naquele dia?

No instante em que percebi que as minhas lágrimas estavam caindo durante a cerimônia, uma menina comuns seis na os de idade apareceu e veio em minha direção. Se aproximou de mim com roupas ancestrais, sorriu e me entregou uma caixinha de madeira cuidadosamente revestida com seda vermelha e circundada com um perfeito laço de fita cor de ouro.

Surpresa com o gesto da menina, passei a abrir a caixa devagarinho. Era um bibelô dourado de porcelana em formato de cabra! Agradecida com a gentileza do gesto, dirijo os olhos novamente para a menina, mas ela tinha sumido! Perguntei para as pessoas à volta se tinham encontrado uma garota com traços chineses naqueles trajes, mas todos me olhavam com estranheza... Ninguém a tinha visto em lugar nenhum...

Voltei para casa e deixei o presente em cima da mesa. Antes de dormir, ao retirar a cabra dourada, notei que a caixa tinha um fundo falso, abri e encontrei um papel com os dizeres: “Happy chinese new year! Believe in yourself!” (Feliz ano novo chinês! Acredite em você mesma!).
Naquela noite, durante o meu sono, revi a imagem da cativante menina chinesa sorrindo novamente para mim, abanando em despedida.